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uma tentativa de ampliar o alcance do museu de arte

 

Talvez não exista o museu ideal, talvez não exista um modelo único, mas isso não impede a busca por modos melhores de pensar os museus. Provavelmente, seja essa uma busca incessante e sem respostas perenes, que sempre dependerá de premissas e limites práticos.

 

Em primeiro lugar, é preciso pensar tanto em quem visita o museu, quanto em quem o visitaria. Noutras palavras, é preciso pensar em qual o tipo de informação que o visitante encontrará e em quais seriam as implicações desse encontro, pensar nas possibilidades práticas de implantar e desenvolver projetos e também em como manter e adequar instalações/ações já em curso. Ou seja, buscar entender da forma mais ampla possível a relação entre museu e comunidade.

 

Seja essa instituição sustentada por capital estatal ou privado, ela sempre consistirá em espaço público. Público, porque a premissa de museu envolve visitação aberta a todos; caso contrário, tornar-se-ia coleção particular. Nesse sentido, se o museu é um aparelho eminentemente público, devemos considerar que há diferentes tipos de visitantes e, conseqüentemente, diferentes repertórios culturais, indicativo este de um fator crucial: provavelmente não existe nem existirá há uma cultura absoluta.

 

Distantes das certezas finais, consideremos a possibilidade de somar conhecimentos, ao invés de subtraí-los. Consideremos que, não apenas em relação ao que seja “externo”, mas em relação a si mesma, essa instituição precisa reintegrar-se. Expografia, serviço educativo, administração, documentação etc. podem trabalhar realmente juntos para enfrentar uma questão comum a todos seus setores:

- Qual a melhor forma de oferecer aos visitantes o conjunto de conhecimentos abarcados pelo museu?

  

 

1:100 - projeto móvel

 

De certa forma, é o encontro entre obra e visitante aquilo que vivifica o museu. É então que a espera dá espaço a nossa premissa fundamental: para que uma coleção seja um museu ela precisa estar aberta à visitação de todos.

 

Entretanto, há nesse enunciado algo bastante importante a considerar. Para que a palavra “todos” se torne realidade, é necessária uma busca incessante dos fatores que constroem o acesso pleno ao museu.

 

Dessa percepção surge a configuração arquitetônica de 1:100. Formado por salas modulares móveis ligadas a um prédio-sede fixo, o projeto busca ampliar o raio de ação do museu de arte. Passíveis de serem transportadas a outras localidades, essas “salas módulo” participam da infra-estrutura necessária às ações culturais pretendidas. São necessárias não apenas obras mas também parte do espaço físico, não apenas espaço físico mas também uma equipe bem integrada para atender à visitação.

 

Da grande equipe do museu, pequenos grupos de educadores e pessoal de apoio (manutenção e segurança) desenvolveriam o projeto “em campo”. A partir do planejamento junto a escolas, representantes das comunidades e instituições culturais locais, as ações começariam bem antes da chegada do(s) módulo(s). Dessa maneira, as equipes teriam também a possibilidade de aprender com as comunidades visitadas, o que implicaria no enriquecimento de toda a equipe e de suas ações futuras.

 

É importante pensarmos claramente:

- Qual(is) cultura(s) os museus representam realmente?

 

 

Até breve!

Luciana Ohira e Sergio Bonilha

(São Paulo, 5 de dezembro de 2005)